residência artística materiais adversos
na sua primeira edição, o fim de semana materiais adversos reúne 11 artistas de diferentes disciplinas, que desenvolvem o seu trabalho ao longo de dez dias de residência artística e investigativa, abrindo os seus processos ao encontro com o público.
em 2022, sofia dinger e m̶i̶g̶u̶e̶l̶ bonneville iniciaram uma colaboração artística com o primeiro sol, uma obra que partia de a gaivota, de anton tchékhov, e das figuras de nina e treplev para pensar o desejo, o fracasso e a necessidade de continuar a criar. desse encontro nasceu um livro que só existiu durante uma noite, mas também um projecto pensado para desenvolver-se ao longo do tempo: quatro actos, realizados com quatro anos de intervalo, em que os dois artistas regressam às mesmas perguntas a partir das transformações entretanto vividas.
reparar na queda é o segundo acto deste ciclo. o título vem de um poema de daniel faria – “o que dói às aves / não é serem atingidas, / mas que, uma vez atingidas, / o caçador não repare na sua queda”.
quatro anos depois, nina e treplev já não são os mesmos – dinger e bonneville também não. o reencontro com estas duas figuras abre um espaço de investigação sobre aquilo que permanece quando o tempo passa e sobre a forma como olhamos de novo para aquilo que já conhecemos.
(para o segundo acto, tchéckov preparou as seguintes entradas:
nina oferecendo flores e treplev de chapéu na mão.)